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quarta-feira, 30 de junho de 2010


Acordou, olhou para o seu quarto, colocou seus pés compridos e enrrugados de frio no chão, levantou-se e sentiu um peso escorrendo pelo corpo. Apenas quis pensar o que tinha que aguentar naquele dia. Só precisava suportar um dia por vez.
Foi em direção a cozinha abriu a geladeira e só viu esqueletos de ferro, vestiu o casaco e saiu. Caminhou até a cafeteria e pediu um café preto , sem açucar, sem nada. Tirou um cigarro amassado do bolso e acendeu.
Era o último.

Tomou seu café, sentiu o gosto amargo escorrer pela garganta . Sentiu-se um fardo. Continuou alí sentado por algum tempo. Ficou observando uma mulher, sem graça, sem cor , mas algo a tornava interessante para ele.
Depois de algum tempo foi embora.
Andava atordoado desde quando descobriu que estava muito doente , precisava afundar-se em seus pensamentos; achava que tudo era para sempre, mas em algum momento percebeu que fazia muito tempo que vivia e amava pelo avesso.
Pegou um livro e folheou as páginas , nada lia, nada estava escrito para ele. Resolveu ir tomar uma bebida . Entrou no bar e pediu uma dose de Wisky. Deu uma olhada no movimento no bar e avistou novamente uma mulher, a mesma da cafeteria. Ficou observando por um tempo e ela sentiu seu olhar.
Sentou-se ao seu lado e perguntou:
- Olá.
- Olá, tudo bem?
- Levando.
- Entendo, eu sempre vou levando. - Disse ele engolindo a dose.
- Porque você me observa? - perguntou, esperando algum motivo para que pudesse acreditar.
- Não sou do tipo que um homem se vire para me olhar, sou em tom pastel .

- Mas isso não quer dizer que você não seja interessante. - disse ele olhando para o bar e perguntou :
- Quer mesmo ficar por aqui?
- Não, só queria um café.

-Aceita tomar um comigo?
- Sim.
Então foram.

Na cafeteria pediram um café e continuaram conversando. Ele gostava do jeito dela falar sempre mexendo as mãos e nervosa, mas muito delicada. Era alta, muito branca e tinha os cabelos claros que formavam ondas sobre os ombros largos. Seus olhos eram cinza.

- Sabe, hoje não é o primeiro dia que vejo você. - disse ele.
- Eu sei, aqui é a segunda vez que você me vê. - respondeu um pouco corada.
- Eu concordo sobre você não ser dentro do padrão, mas algo em você me desperta. E isso me faz querer desvendar o motivo.
Ela sorriu , agora bastante corada, deixou um bilheite , levantou-se e decidiu ir embora. Ele voltou para casa, tinha a sensação de ter bebido muito. Deitou-se e dormiu.

De manhã , acordou sentindo uma falta, isso o agoniava , mas o que mais incomodava era que sentia falta da mulher da cafeteria. Só conseguia pensar em como aquilo acontecia , o que tinha nela de tão intrigante. Pegou o casaco e tirou do bolso o bilhete, e tinha escrito um número de telefone. Decidiu ligar e marcar um jantar.
- Alô?
- Oi, aqui é o homem da cafeteria , lembra de mim?

- Ah, sim! - disse ela um pouco risonha.

- Então , estou te ligando por que , de alguma forma eu senti sua falta, queria te convidar para jantar aqui, você aceita?
- Bem, não sei, acho que tenho um compromisso para hoje. - Disse um pouco desastrada com as palavras.
- Ah, por favor !, aposto que pode sair comigo e está dando desculpas!
- Tudo bem, tudo bem, eu vou! - disse risonha
- As Nove?

- Certo , as Nove.


Era noite, ela estava para chegar , decorou a mesa com velas e pratos um pouco antigos e decorados. Estava ansioso. Deu Nove horas e a campainha tocou. Ele abriu a porta e se assustou. Ela estava linda e graciosa, muito diferente, com um vestido florido que seguia seu corpo e um batom vermelho que deixava seus lábios estonteantes.
- Olá! - disse ela corada
- Oi! Entra!


Sentaram -se a mesa e começaram a conversar . Falaram sobre música, cinema, livros, autores, religião e vários outros assuntos. Ela parecia estar a vontade, ria muito e tambem era muito divertida. Ele estava encantado e apenas a ouvia e a observava, enquanto escrevia algo em um guardanapo.

- Você é linda - disse ele.
- Obrigada- respondeu , muito corada.

Eles se levantaram e ele a beijou, fortemente, se queriam muito. Foram para o quarto e ela se despiu. Ele se encantou mais ainda; sua pele era macia, sentia cada centímetro como se fosse uma seda, seus seios eram pequenos e delicados, suas pernas eram longas e bonitas. Se tocaram , se sentiram e fizeram amor como se nunca tivessem feito.

- Qual o teu nome? perguntou ele no meio da noite.
- Só agora você quis saber? Ela riu.
- Meu nome é Sophie.

- Bonito nome. Para mim, saber nomes em uma conversa é só o começo de algo previsível. Prefiro mesmo descobrir o que há de tão interessante em você.

Ela sorriu e então voltaram a se amar.


Pela manhã ela acordou, deu um beijo com cheiro de sono e o chamou; Mas ele não respondia. Ela achou que estava brincando, mas não estava. Ele estava gelado, com um leve sorriso nos lábios.
Sophie se levantou chorosa decidiu arrumar as coisas e ir embora dalí, correndo. Foi até a mesa , pegou sua bolsa com raiva e caíram os copos e talheres, se abaixou para arrumar tudo e encontrou um guardanapo rabiscado.

Então foi até a porta e a abriu.
Sentiu um cheiro de flores e um vento forte.

Abriu o guardanapo e leu:

" Descobri que você tem um sorriso secreto para mim"

Fechou a porta e sorriu para o vento.

4 comentários:

O fetichista disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alex Augusto disse...

Dont try to wake me in the morning Cause I will be done"
- The Smiths

Matheus disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Matheus disse...

O amanhã nunca chegou mais cedo do que a noite mais escura. (Ho Chi Minh)
O que seria do chocolate mais gostoso se não fosse meio amargo.( vi no filme vanilla sky =B)
Eu só desejo que cada coisa aconteça para dar equilibrio a nossa existência, e que minha escolha seja a melhor possivel.Tudo sempre se encaixa, temos que nos preocupar com o que tem que ser feito.